sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Gerando Realizações




Acredito firmemente no poder do grupo, de todo e qualquer grupo que se reúna em propostas / ações envolvendo iniciativas positivas, gerando laços evolutivos, promovendo realizações benéficas; grupos que fazem acontecer porque a união propicia alavancas estruturais de fazerem inveja aos arranha-céus da cidade.

Nem só de tijolos e concreto armado se constroem estruturas fortes.Está mais que provada a feliz diversidade dos congraçamentos e seu consequente sucesso. Todo mundo sabe ao que me refiro. De mutirões solidários a empreitadas vitoriosas, milhares de pessoas em todo o mundo vão em busca de realizar seus sonhos, se não sozinhos, através de comunidades facilitadoras direcionadas aos objetivos de cada um que, ao final, é o de muitos outros em iguais perspectivas.  

O boletim do dia acaba de anunciar o nascimento de uma dessas comunidades direcionada para escritores, novos e veteranos que contarão com um espaço multiplicador, promotor de fomentos voltados para o mundo da escrita em suas variadas vertentes e também através da realização de encontros inspiradores.

Repetindo-me :
Uma coisa nova que aprendi recentemente, foi sobre Jazz. Um assombro pra mim que conheço bem pouco sobre esse estilo musical.Durante o filme La La Land, o personagem principal apaixonado por tal estilo, explica a sua partner o cerne essencial do Jazz ao declarar ser o ritmo uma fusão de particularidades dos musicistas envolvidos, ou seja, a pauta musical fica intercalada pela perfomance aglutinada de cada instrumento da banda.Se entendi certinho, são " um por todos e todos por um" enaltecendo a originalidade sem perder a coletividade ou vice-versa.

Conheça o To Writers, você pode ter uma boa surpresa!



Link: https://www.towriters.com/  




segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Educação __ Chave-mestra


(kjnn-chiniquy)


Será que cabe falarmos em modelo/exemplo? Cabe, neh, e sempre caberá, pois, reside neste fenômeno milhares, milhões, trilhões de ações evolutivas que se deram e se darão ao longo dos tempos. 

Desde os primórdios da conscientização humana nos espelhamos em todos os fenômenos á nossa volta. Foi através da obervação concisa que os primeiros grupos de Ramaphitecus, há 13 milhões de anos, tiveram sobrevivência de alguns de seus indivíduos praticando a coleta cuidadosa de frutos e arbustos silvestres depois que os animais coletores deles tivessem se servido e continuado incólumes.Garantiram a sobrevivência da espécie.Exemplo seguido pelos demais grupos que evoluíram deste primeiro e, tudo na base do instinto e do bom senso. Não mandaram emails ou vídeos avisando aos seus semelhantes que a árvore de troncos retorcidos dava frutos venenosos.

E cá estamos, nós, hominídeos-sapiens, que flanamos por entre as diversas mídias desde que Chateaubriand trouxe o primeiro aparelho transmissor de imagens televisivas para o Brasil, achando que este utensílio doméstico apenas teria a função de distrair e informar. Ledo engano. Não promovo uma caça ás bruxas, mas também, não porei uma venda por escolha própria.

Creiam-me, tudo ao nosso redor neste novo-velho-mundo, "educa". Para o bem e para o mal, mas educa e, na maioria das vezes, desastradamente. São modelos /mensagens explícitas ou não, de comportamentos, modismos, excepcionalidades, idolatrias, convencimentos, induções... 

A lista escapa em sequência quase infinita mas, se perpetua através de décadas disseminando pés-de feijão gigantescos furando as nuvens, só que acima delas não há castelos e muito menos galinha dos ovos de ouro. Saibam!

O modelar comportamentos e consequentes reações se presta a mais de um propósito e serve muitos interesses escusos, ainda mais em nosso país.Claro, que não é privilégio só nosso, porém, está sendo permissão só nossa.


"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."





segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Respeito antecede renovação



Semana começando, incentivo pra renovar olhares, recompor as metas, avançar , cumprir, realizar; lista verbal motivadora que é capaz de nos mover, esperançar. 

" Sempre há em nós, a possibilidade da renúncia. Primeiro renunciamos à solidão ( quando é prejudicial*). Depois à ação do tempo,depois à impermeabilidade. E pronto..."

Não tão simples assim, nem pronto, afinal, mas possível recomeço. Válida aquisição de novas perspectivas, de remodelação das antigas, quando se percebe necessário, ajuste cabível para certezas emboloradas, permissão de assento pra paisagens pitorescas a desenharem sorrisos naturais.Tudo isto é permitido, bem-vindo, benéfico.Só não o é, o descontrole sobre o justo, o valoroso, o correto, o ético e o respeitoso. O direito de cada indivíduo termina onde começa o de seu semelhante.Respeito, acima de tudo favorece a boa "tramagem" do tecido social.

Mas, se faz hora de abrir a semana Brincando com a Chica: Uma palavra dada, uma palavra formada, em seu (link) sementesdiarias.blogspot.com


A palavra da semana é : PITADA 




Uma pitada bem dosada acentua o sabor do momento!



Uma pitada diária de Bom Senso suaviza a vida!



Entre na ciranda vc também!


+ Excerto de : Textos e pretextos, Celso Cisto
* aporte meu.



quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Desassossego



Sinto, por vezes, que estou sendo levada por uma enxurrada furiosa que não se detém ante obstáculos , seguindo ruidosa seu curso desgovernado para destino desconhecido. Não é pesadelo ou qualquer fato semelhante. Pra meu lamento, é a realidade de bocarra escancarada num esgar irônico a me deixar atônita, quase paralisada. Quase... sim, porém, não totalmente e, reajo com ímpeto, com revolta, com fé, refutando com vigor tais fatos aterroradores, me ancorando na crença de que ainda há consciência humana nos seres de igual adjetivo.

Vou lançar minha voz , meu empenho, meu credo para além das fronteiras físicas e me filiar  a todos que como eu, crêem que um mundo mais humano é possível, é viável.

Às vésperas do dia Professor, encara-se uma tragédia humana desproporcional como todas que lhe são assemelhadas e nos deparamos com mais uma barbárie tenebrosa a nos tirar o chão reduzindo nossa compreensão diante do sucedido onde perguntamos: "porquê?"

Não há resposta, creio eu. Podemos, no muito, confortarmo-nos com algumas poucas reflexões pinceladas a darem um vislumbre sobre a causa, mesmo assim, sou descrente que desta se encontre qualquer explicação plausível.

Lendo um artigo da filósofa-pensadora norte-americana, Martha Nussbaum, conhecida por defender um ensino permeado de humanidades, encontrei alinhamento para meus pensamentos sobre este e muitos outros fatos recentes da nossa triste história urbana.Diz ela: 

" Faço distinção entre empatia e compaixão - e é de compaixão que precisamos. Empatia é só a habilidade de pensar como é estar no lugar do outro. Não é moral...Compaixão diz que os obstáculos enfrentados pelo próximo são ruins. Podemos senti-la sem imaginar a vida do outro, como quando nos compadecemos de animais."

A citada filósofa permeia seu trabalho em áreas da antropologia,da psicanálise e da sociologia na busca pela eudaimonia, palavra grega que representa uma vida plena e próspera.

 Constatar o quanto nossa realidade está longe deste ideal me assusta, mas também não paralisa.Posso ser tachada de Pollyana, posso ser considerada ingênua, não temo nada disso. Antes ser quixotesca e avançar como puder contra os  moinhos empedernidos em descalabros e  desumanidades , do que encolher-me chorosa e desesperançada.





sábado, 7 de outubro de 2017

Retalhos Coloridos



Abre no pensamento um gráfico simples, desenhando altos e baixos, marcando  sentimentos revoltosos, muitos lamentos e incredulidade. Se eu pudesse reverter os ponteiros do relógio-tempo em 96 horas atrás e, isto fizesse toda diferença nos acontecimentos, será que abalaria o curso da órbita terrestre?
Como não tenho resposta pronta abro, então, um parênteses diminuto nestas horas seguintes e me deixo acalentar por retalhos coloridos nos dias.



No ritmo dos pedais abrem-se paisagens monumentais.

" O ser humano é o único ser que busca independência e, ironicamente, ao mesmo tempo, precisa do afeto e do carinho do semelhante."  



Ventos brincalhões desarrumam nuvens baixas. 

" Podemos sentir o vento como uma brisa ou como um furacão devastador. Depende do estado de espírito."



Cada tom reverbera a seu jeito.
Cada sentimento, também.

"Podemos dizer a mesma coisa de formas diferentes.



"Cada um é incomparavelmente único.Você é necessário e basta."

Meu companheirão, senhorzinho compenetrado, faz dez anos de muitas alegrias vividas conosco.
Thuco grandão, expressão de amor.





* "excertos do livro Códigos da Vida, Legrand"



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

BC Raio X __ 2017 __ Reviver Emoções





Desconfio que certas palavras possuem ímãs e, pelo que percebo, sou atraída por elas inconscientemente... será? Prossigo para além da questão, mas presa ao ritmo empático que despertam. 
Tenho visto a BC- Raio X, capitaneada pelo amigo TONINHO(link) e pela SILVANA , inspirar muitos participantes e, claro, me encontro neste rol mas, só agora na quadragésima sexta edição venho me juntar ao time participante.
 A palavra ímã parou no "e" de emoções, ou melhor : reviver emoções, um mote irresistível, afinal, não é também desta matéria que somos feitos? Matéria etérea, porém pulsante em nossos poros, viajante nos fluxos sanguíneos irrigando o pulsar das batidas do coração, que não é o depositário das emoções ( segundo meu cardiologista), mas que ribomba intensamente ao sabor delas.



Então " simbora" mergulhar na proposta:

* Já chorou com cenas de filmes ou novelas?

# Hiii... e como! Muita coisa! Muitas vezes! O difícil está em apontar uns poucos exemplos. Minha lista é grande. O que me salva é o verbo reviver. Vou me agarrar nele e buscar lá atrás o címbalo que tocou alto derramando minhas lágrimas livremente.

1_ Sociedade dos Poetas Mortos
2_ O clube da Felicidade e da Sorte
3_ Colcha de Retalhos
4_ Ghost 
5_ A família Bélier 


*Desenho animado, filme ou programa de rádio da sua infância? 

#Na maioridade infantil, fiquei sabendo que: " Selacanto provoca maremoto"(rs), e vcs, sabiam disso?Pois, foi assim, que fiquei aficionada em seriados desde a época do National Kids. Houve também um programa de rádio que logo se tornou televisivo: Tia Gladys e seus bichinhos, apresentado e conduzido pela titular, uma exímia desenhista e contadora de histórias infantis que me encantavam  e, à garotada da minha época.




* Da criança que foi, o que restou dela em vc?

#Tuuudo! Ora, Graças! Tudo mesmo. Creio que só cresci e me adaptei às mudanças físicas, cronológicas e circunstanciais. Umas retive, outras abracei, mas todas foram fermento no corpo e n'alma adicionando movimento e alargando horizontes.

Sou aquela menina ( a La Cora), que corria livre pelos quintais, brincava com borboletas e embalava suas bonecas com cuidados maternais. Sou aquela menina que queria voar num tapete das Mil e uma Noites, conhecer o holandês-voador, visitar o país das Maravilhas e dançar ballet.
Aqui ela está e sempre estará.




O bocado significativo residente em cada emoção, nos faz reviver precioso relicário.
Obrigada, pela oportunidade, Toninho e Silvana.






# devagar irei visitar os demais participantes, ok!



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Daquilo que eu sei




Tenho andado em tal ritmo de leitura que até me surpreendo, não que me seja estranha a fase, nada disso, já vivi períodos iguais infinitas vezes.Agora, porém, venho duma estiagem árida de quase um ano sem motivação.São águas passadas, ainda bem. Ao findar o passado e romper o novo ano ganhei fôlego e não parei desde então.Alvíssaras!

Romances e reflexões têem me feito  ótima e assídua companhia.Vou lá, venho cá, intercalando os assuntos sem perder o fio da meada e, na ligadura que se forma parei  na declaração:

           " A felicidade não é uma questão individual"                      __ Thich Nhat Hanh.

Aí, a mente vira tela de cinema, filmes curtos e longos se alternam acima da legenda grifada dando contornos nítidos à força do conjunto das idéias/palavras. Simples , mas tão verdadeiro conceito careceria de representação, se fosse em outros tempos, mas nos de agora que é visto, fotografado, filmado e escrito em garrafais o culto ao individualismo, ele se torna cabal e imprescindível ao reconhecimento nas relações pessoais.

Fato básico e até cantado em muitas melodias imortais:      " Ninguém é feliz sozinho", numa clara referência à felicidade conjugal, mas, por mais clichê que pareça, confirma uma realidade essencial, pois, somos seres sociais pertencentes  à categorias listadas cientificamente. Somos mamíferos, bípedes, pensantes, agregadores  e dependentes uns dos outros( sejam em que sentido for).
A mensagem televisionada dos Médicos Sem Fronteiras, exalta claramente tal conceito: "Somente um ser humano pode salvar outro ser humano". Incontestável, neh!

Se focarmos apenas nosso mundinho celular já teremos constatação dessa máxima. Não há possibilidade de felicidade extensa tendo uma enfermidade na família, um ente querido em apuros, um familiar atravessando tempestades.Somos nossas raízes e nossos frutos e tudo que lhes diz respeito nos afeta, nos toca, nos constrange ou alegra. 

Somos árvores frondosas que carregam em si suas histórias de venturas e desventuras na evolução dos dias vividos e cada parte de nós está intrinsecamente interligada na correspondência do riso ou do choro de nossos amados, além disso, ainda somos indivíduos numa floresta de semelhantes que compõem o tecido social: a comunidade humana.






sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A casa Amarela




( Casa Amarela - Van Gogh)


Ontem feriado, dia mais lento restrito da ruideza comum nas ruas da cidade. Aqui e ali alguns serviços funcionando.Já sabida disto saí e, ao dobrar a esquina achei movimentação diferente.Algumas pessoas paradas na calçada sustentando suas sacolas de mercado, olhos atentos ao outro lado onde maquinário pesado e homens atarefados se dedicavam à tarefa de demolição.

A casa amarela, de grandes janelas, chapisco frontal, portão gradeado, telhado estendido por sobre o avarandado que chegava aos degraus da entrada.Aspecto simpático, cor vibrante, ali quase ao meio daquela rua, mostrando seu frontão "galhardeiro" com registro da construção: 1928.

Quase um século e, com certeza, muitas vidas por ali passaram; muitos risos, alguns choros, festas, aniversários, celebrações, vidas palpitando, histórias acontecendo, quase um livro em tijolos e pinturas atravessando décadas até ontem, quando exibia naquela manhã uma ferida grotesca na lateral esquerda de sua parede deixando à mostra o quarto de alguém, vazio de objetos, mas cheio de recordações.

 Arrancaram-lhe o bonito portão, feriam-lhe os degraus, absolutamente resolutos no trabalho de demolição.

Olhei para as pessoas que, como eu, pararam por instantes diante da cena.Creio que nossos pensamentos convergiam num mesmo sentimento lamentoso.__É só mais uma casa que dará lugar a um prédio, dirá alguém. O antigo dando espaço à modernidade. Só isto!

Não só, mas na realidade, isto. Aos meus olhos e aos do casal, senhor e senhora, próximos a mim, que fitavam consternados a destruição da casa amarela, um turbilhão descompassava o peito no ritmo das marretadas. 

~~**~~ 


Obs: Há um link novo direcionando para uma rápida pesquisa no post: Divulgação__ grupo p/novos escritores.
Passe lá!

domingo, 3 de setembro de 2017

No rastro da inspiração




Pela mão da inspiração peço licença à dona da idéia, amiga criativa e arteira, pra aumentar o álbum que lindamente compõe; muitos céus, muitos azuis, lugares passeados, outros somente sabidos, todos bem fotografados. Em seu http://ceuepalavras.blogspot.com.br/2017/08/ceus-da-calu-e-da-natalia.html(link), a queridíssima Chica ( dona da idéia), nos oferece paisagens incríveis, verdadeiros refrigérios na selva urbana.

Abro a semana, parafraseando com ela  céus inspiradores.










"Pra não dizer que não falei das flores"...


Fica aqui uma prece:

Que setembro( outubro/novembro/dezembro) nos traga sorrisos repetidamente floridos! 







segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Um Cantinho/ Um Lar - BC comemorativa








Hoje, mais uma data festiva convida pra interação nessa nossa blogosfera enlaçada, o aniversário do Blog : Meu Cantinho( link), da Jack, completando 5 anos  de vivências.

Fazendo um gostoso passeio por suas lembranças, a anfitriã conta-nos um pouco sobre suas descobertas e cuidados com seu "cantinho", seu lar e, deixa escrito em quadro decorado uma reflexão aos participantes: O que é Lar pra você e, como é o seu Cantinho?

Por mais clichê que possa parecer, eu confirmo na vivência dos anos corridos que sim, Lar é onde aconchegamos e acolhemos nossos amados. Onde construímos base e conforto, carinhos e cuidados, porto e pier, garantindo a segurança amorosa dos que aqui ficam, dos que aqui partem, dos aqui chegam.

Tive alguns cantinhos bem queridos. Por hoje, voltei pr'aquele que nem imaginava voltar.Movimentos da vida, força de ventos ríspidos, agora calmos, agora brisas. Retornei com apenas o estritamente necessário e, aos poucos fui remodelando, consertando, mobiliando, compondo na medida do possível. Ainda há espaços e composições por arrumar, mas não me abalo como antes. 

Vou em velocidade de cruzeiro, com um olho na bússola e outro na sacada. Escolho as cores dos dias e uso aquarela ou marmorizados pra compor meu cantinho- ninho ainda inacabado. 

Vou pintando-decorando conforme dá, sem perder de vista as intenções desenhadas em meus planos.



Tendo a baía como testemunha e moldura, refiz aqui meu Lar, recomeço, o antigo que se fez novo de novo.



Passos novos em terrenos conhecidos, mas não iguais; marés retomadas, ventos contornados, calçadas abertas, ladrilhar... meu cantinho/ meu Lar. 

Descobri que sou versátil, abraço com determinação as mudanças que a vida traz.

Em boa hora recebi o gentil convite e parabenizo a Jack pela feliz comemoração!Parabéns, querida!



terça-feira, 22 de agosto de 2017

AGRADECER - BC comemorativa






" O Amor é a ponte entre você e todo o resto".
( Rumi)


Assisto entusiasmada no correr dos últimos anos ao importante despertar do sentimento de gratidão abrangente em alto e bom som, propagado em mínimos e máximos. É lembrado, pintado, falado, aconselhado, ressaltado, incentivado e aplaudido com tamanha ênfase que, acredito esteja mesmo se incorporando aos hábitos das pessoas do bem.

Me dei conta ao longo das vivências, que éramos gerações de pedintes aos céus.Pouquíssimas vezes encontrei nas recitações menção de agradecimento.Isto foi me causando estranheza, tomando forma de distanciamento nas minhas práticas religiosas, destacando o automatismo acontecido na palavra " obrigado", incomodando-me a ponto de trocá-la por " agradecida". Achava que refletia melhor meu estado de espírito diante d'um fato merecedor.Comecei a ter cuidados ao ato de agradecer, fosse a um semelhante, fosse em conversas com Deus.Fui retocando práticas, substituindo outras, abraçando algumas que se me caíam aos olhos e clareavam a mente.

Cheguei a esmiuçar os versos da canção do Gil: "Se eu quiser falar com Deus" e, identificar ali quantas verdades continham, quantos resgates frutíferos ao plantio de valores e princípios esquecidos.

Agradecer, palavrinha fácil, prenhe de conforto que só é experimentado se ela for de fato sentida e vivida em sua aplicação.

Creio, que muita gente tem se dado conta do quanto viver nesta perspectiva traz motivações renovadas, refaz velhos conceitos e aprimora valores que não devem ficar sob  entulho do orgulho néscio. 


Agradeço meu dia-a-dia.
Agradeço minha vida jubilosa.
Agradeço meus amados e amadas,
Agradeço as alegrias renovadas.

Agradeço o ar presente,
 o mar, o céu, a flor silente.
Agradeço as benesses repetidas.
Agradeço ás amigas e amigos
me fazerem mais sorridente.


Muito Obrigada!





O tema  foi proposto pela amiga Rosélia, do (link) idade_espiritual.com.br, em convite da BC comemorativa para a festa de 8 anos do Blog.

Agradeço a você, Rosélia, por mais esta linda confraternização virtual.






sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Muito ou Pouco



( A Pensativa)


" O cotidiano mata a transcendência", disse Clarice Lispector, e reafirmo eu, por comprovação cabal do quanto o novelo diário nos enreda.Vamos deixando, procrastinando o correr dos dias no elenco do mais urgente, do compromisso pendente, do que não pode estar ausente e, não vemos que na outra ponta, extremo deste novelo, estamos nós atadas, embaraçadas, torvelinhadas, sem precedentes.

Primeiro eles. Primeiro elas; em segundo nível, a casa e suas necessidades, os afazeres, os perfazeres, os dias todos, nossas horas passadas. Somos ventania pelos cômodos da casa, pelas calçadas lotadas, cumprindo uma agenda memorizada.E nós, esfumaçadas, quase aladas. 

Onde deixei minha essência? Onde está minha consistência? Cadê minha permanência...

Naquilo que nos absorve, 
seja  por muito ou pouco tempo,
 traz inserido na mistura da existência, 
o muito ou o pouco que lhe dá forma,
 consistência. 
Muito ou pouco sal, preferência.
 Muito ou pouco açúcar, tendência.
Muito ou pouco tempo, paciência.
Muito ou pouco vagar, consciência.
Muito ou pouco ajudar, transcendência.
Muito ou pouco julgar, inteligência. 


Perdida não está. Escondida, talvez. Venho removendo os entulhos que me soterraram por tempos e recomeço a distinguir minha forma, meus gostos, meu jeito; aparecer, pra nunca mais sumir.





quarta-feira, 26 de julho de 2017

Divulgação - grupo de dicas para novos escritores(as)





* ( link pesquisa) __bit.ly/sobreescrita

Uma coisa nova que aprendi recentemente, foi sobre Jazz. Um assombro pra mim que conheço bem pouco sobre esse estilo musical.Durante o filme La La Land, o personagem principal apaixonado por tal estilo, explica a sua partner o cerne essencial do Jazz ao declarar ser o ritmo uma fusão de particularidades dos musicistas envolvidos, ou seja, a pauta musical fica intercalada pela perfomance aglutinada de cada instrumento da banda.Se entendi certinho, são " um por todos e todos por um" enaltecendo a originalidade sem perder a coletividade ou vice-versa.

O conceito me cativou. Congraçar sem ofuscar. Aglutinar para enaltecer.Reunir, somar, clarear, mais que ultra motivador, traz alianças incríveis, comprovadamente.A web está lotada de exemplos bem sucedidos em todas as instâncias e circunstâncias e um destes casos começou nesta semana.

Foi criado no Whatsapp um grupo capitaneado pela Rachel Agavino, do blog: O Livro Aberto,para dicas e orientações aos novos escritores(as), tirando dúvidas e promovendo a interação entre os participantes.Bem organizado e objetivo, o grupo tem regras e agenda facilitadora das atividades buscadas.

O Grupo: O Livro Aberto Dicas

O Infográfico:



Trocas inspiradoras e passos práticos num clima gerador em forma e cor das aspirações de cada candidato(a ) á trilha das histórias contadas em prosa e verso.

Recomendo muitíssimo!




quarta-feira, 19 de julho de 2017

" Pensar é coisa muito perigosa"



( foto/ Tica)


No traço da palavra, nas entrelinhas escritas, na essência latente aqui: 
A Leveza Profunda de Rubem Alves.


Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.

Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakovski suicidou-se. Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.

Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as ideias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem-unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme!) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa...

Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.
Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que chamar psiquiatras e neurologista, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para lidar com o software há que fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos do Drummond e o corpo fica excitado.

Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e de se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.
Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias.

Opte por um soft modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente contraindicados. Já o rock pode ser tomado à vontade. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo esta receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram.

Rubem Alves