quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Daquilo que eu sei




Tenho andado em tal ritmo de leitura que até me surpreendo, não que me seja estranha a fase, nada disso, já vivi períodos iguais infinitas vezes.Agora, porém, venho duma estiagem árida de quase um ano sem motivação.São águas passadas, ainda bem. Ao findar o passado e romper o novo ano ganhei fôlego e não parei desde então.Alvíssaras!

Romances e reflexões têem me feito  ótima e assídua companhia.Vou lá, venho cá, intercalando os assuntos sem perder o fio da meada e, na ligadura que se forma parei  na declaração:

           " A felicidade não é uma questão individual"                      __ Thich Nhat Hanh.

Aí, a mente vira tela de cinema, filmes curtos e longos se alternam acima da legenda grifada dando contornos nítidos à força do conjunto das idéias/palavras. Simples , mas tão verdadeiro conceito careceria de representação, se fosse em outros tempos, mas nos de agora que é visto, fotografado, filmado e escrito em garrafais o culto ao individualismo, ele se torna cabal e imprescindível ao reconhecimento nas relações pessoais.

Fato básico e até cantado em muitas melodias imortais:      " Ninguém é feliz sozinho", numa clara referência à felicidade conjugal, mas, por mais clichê que pareça, confirma uma realidade essencial, pois, somos seres sociais pertencentes  à categorias listadas cientificamente. Somos mamíferos, bípedes, pensantes, agregadores  e dependentes uns dos outros( sejam em que sentido for).
A mensagem televisionada dos Médicos Sem Fronteiras, exalta claramente tal conceito: "Somente um ser humano pode salvar outro ser humano". Incontestável, neh!

Se focarmos apenas nosso mundinho celular já teremos constatação dessa máxima. Não há possibilidade de felicidade extensa tendo uma enfermidade na família, um ente querido em apuros, um familiar atravessando tempestades.Somos nossas raízes e nossos frutos e tudo que lhes diz respeito nos afeta, nos toca, nos constrange ou alegra. 

Somos árvores frondosas que carregam em si suas histórias de venturas e desventuras na evolução dos dias vividos e cada parte de nós está intrinsecamente interligada na correspondência do riso ou do choro de nossos amados, além disso, ainda somos indivíduos numa floresta de semelhantes que compõem o tecido social: a comunidade humana.






sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A casa Amarela




( Casa Amarela - Van Gogh)


Ontem feriado, dia mais lento restrito da ruideza comum nas ruas da cidade. Aqui e ali alguns serviços funcionando.Já sabida disto saí e, ao dobrar a esquina achei movimentação diferente.Algumas pessoas paradas na calçada sustentando suas sacolas de mercado, olhos atentos ao outro lado onde maquinário pesado e homens atarefados se dedicavam à tarefa de demolição.

A casa amarela, de grandes janelas, chapisco frontal, portão gradeado, telhado estendido por sobre o avarandado que chegava aos degraus da entrada.Aspecto simpático, cor vibrante, ali quase ao meio daquela rua, mostrando seu frontão "galhardeiro" com registro da construção: 1928.

Quase um século e, com certeza, muitas vidas por ali passaram; muitos risos, alguns choros, festas, aniversários, celebrações, vidas palpitando, histórias acontecendo, quase um livro em tijolos e pinturas atravessando décadas até ontem, quando exibia naquela manhã uma ferida grotesca na lateral esquerda de sua parede deixando à mostra o quarto de alguém, vazio de objetos, mas cheio de recordações.

 Arrancaram-lhe o bonito portão, feriam-lhe os degraus, absolutamente resolutos no trabalho de demolição.

Olhei para as pessoas que, como eu, pararam por instantes diante da cena.Creio que nossos pensamentos convergiam num mesmo sentimento lamentoso.__É só mais uma casa que dará lugar a um prédio, dirá alguém. O antigo dando espaço à modernidade. Só isto!

Não só, mas na realidade, isto. Aos meus olhos e aos do casal, senhor e senhora, próximos a mim, que fitavam consternados a destruição da casa amarela, um turbilhão descompassava o peito no ritmo das marretadas. 

~~**~~ 


Obs: Há um link novo direcionando para uma rápida pesquisa no post: Divulgação__ grupo p/novos escritores.
Passe lá!

domingo, 3 de setembro de 2017

No rastro da inspiração




Pela mão da inspiração peço licença à dona da idéia, amiga criativa e arteira, pra aumentar o álbum que lindamente compõe; muitos céus, muitos azuis, lugares passeados, outros somente sabidos, todos bem fotografados. Em seu http://ceuepalavras.blogspot.com.br/2017/08/ceus-da-calu-e-da-natalia.html(link), a queridíssima Chica ( dona da idéia), nos oferece paisagens incríveis, verdadeiros refrigérios na selva urbana.

Abro a semana, parafraseando com ela  céus inspiradores.










"Pra não dizer que não falei das flores"...


Fica aqui uma prece:

Que setembro( outubro/novembro/dezembro) nos traga sorrisos repetidamente floridos! 







segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Um Cantinho/ Um Lar - BC comemorativa








Hoje, mais uma data festiva convida pra interação nessa nossa blogosfera enlaçada, o aniversário do Blog : Meu Cantinho( link), da Jack, completando 5 anos  de vivências.

Fazendo um gostoso passeio por suas lembranças, a anfitriã conta-nos um pouco sobre suas descobertas e cuidados com seu "cantinho", seu lar e, deixa escrito em quadro decorado uma reflexão aos participantes: O que é Lar pra você e, como é o seu Cantinho?

Por mais clichê que possa parecer, eu confirmo na vivência dos anos corridos que sim, Lar é onde aconchegamos e acolhemos nossos amados. Onde construímos base e conforto, carinhos e cuidados, porto e pier, garantindo a segurança amorosa dos que aqui ficam, dos que aqui partem, dos aqui chegam.

Tive alguns cantinhos bem queridos. Por hoje, voltei pr'aquele que nem imaginava voltar.Movimentos da vida, força de ventos ríspidos, agora calmos, agora brisas. Retornei com apenas o estritamente necessário e, aos poucos fui remodelando, consertando, mobiliando, compondo na medida do possível. Ainda há espaços e composições por arrumar, mas não me abalo como antes. 

Vou em velocidade de cruzeiro, com um olho na bússola e outro na sacada. Escolho as cores dos dias e uso aquarela ou marmorizados pra compor meu cantinho- ninho ainda inacabado. 

Vou pintando-decorando conforme dá, sem perder de vista as intenções desenhadas em meus planos.



Tendo a baía como testemunha e moldura, refiz aqui meu Lar, recomeço, o antigo que se fez novo de novo.



Passos novos em terrenos conhecidos, mas não iguais; marés retomadas, ventos contornados, calçadas abertas, ladrilhar... meu cantinho/ meu Lar. 

Descobri que sou versátil, abraço com determinação as mudanças que a vida traz.

Em boa hora recebi o gentil convite e parabenizo a Jack pela feliz comemoração!Parabéns, querida!



terça-feira, 22 de agosto de 2017

AGRADECER - BC comemorativa






" O Amor é a ponte entre você e todo o resto".
( Rumi)


Assisto entusiasmada no correr dos últimos anos ao importante despertar do sentimento de gratidão abrangente em alto e bom som, propagado em mínimos e máximos. É lembrado, pintado, falado, aconselhado, ressaltado, incentivado e aplaudido com tamanha ênfase que, acredito esteja mesmo se incorporando aos hábitos das pessoas do bem.

Me dei conta ao longo das vivências, que éramos gerações de pedintes aos céus.Pouquíssimas vezes encontrei nas recitações menção de agradecimento.Isto foi me causando estranheza, tomando forma de distanciamento nas minhas práticas religiosas, destacando o automatismo acontecido na palavra " obrigado", incomodando-me a ponto de trocá-la por " agradecida". Achava que refletia melhor meu estado de espírito diante d'um fato merecedor.Comecei a ter cuidados ao ato de agradecer, fosse a um semelhante, fosse em conversas com Deus.Fui retocando práticas, substituindo outras, abraçando algumas que se me caíam aos olhos e clareavam a mente.

Cheguei a esmiuçar os versos da canção do Gil: "Se eu quiser falar com Deus" e, identificar ali quantas verdades continham, quantos resgates frutíferos ao plantio de valores e princípios esquecidos.

Agradecer, palavrinha fácil, prenhe de conforto que só é experimentado se ela for de fato sentida e vivida em sua aplicação.

Creio, que muita gente tem se dado conta do quanto viver nesta perspectiva traz motivações renovadas, refaz velhos conceitos e aprimora valores que não devem ficar sob  entulho do orgulho néscio. 


Agradeço meu dia-a-dia.
Agradeço minha vida jubilosa.
Agradeço meus amados e amadas,
Agradeço as alegrias renovadas.

Agradeço o ar presente,
 o mar, o céu, a flor silente.
Agradeço as benesses repetidas.
Agradeço ás amigas e amigos
me fazerem mais sorridente.


Muito Obrigada!





O tema  foi proposto pela amiga Rosélia, do (link) idade_espiritual.com.br, em convite da BC comemorativa para a festa de 8 anos do Blog.

Agradeço a você, Rosélia, por mais esta linda confraternização virtual.






sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Muito ou Pouco



( A Pensativa)


" O cotidiano mata a transcendência", disse Clarice Lispector, e reafirmo eu, por comprovação cabal do quanto o novelo diário nos enreda.Vamos deixando, procrastinando o correr dos dias no elenco do mais urgente, do compromisso pendente, do que não pode estar ausente e, não vemos que na outra ponta, extremo deste novelo, estamos nós atadas, embaraçadas, torvelinhadas, sem precedentes.

Primeiro eles. Primeiro elas; em segundo nível, a casa e suas necessidades, os afazeres, os perfazeres, os dias todos, nossas horas passadas. Somos ventania pelos cômodos da casa, pelas calçadas lotadas, cumprindo uma agenda memorizada.E nós, esfumaçadas, quase aladas. 

Onde deixei minha essência? Onde está minha consistência? Cadê minha permanência...

Naquilo que nos absorve, 
seja  por muito ou pouco tempo,
 traz inserido na mistura da existência, 
o muito ou o pouco que lhe dá forma,
 consistência. 
Muito ou pouco sal, preferência.
 Muito ou pouco açúcar, tendência.
Muito ou pouco tempo, paciência.
Muito ou pouco vagar, consciência.
Muito ou pouco ajudar, transcendência.
Muito ou pouco julgar, inteligência. 


Perdida não está. Escondida, talvez. Venho removendo os entulhos que me soterraram por tempos e recomeço a distinguir minha forma, meus gostos, meu jeito; aparecer, pra nunca mais sumir.





quarta-feira, 26 de julho de 2017

Divulgação - grupo de dicas para novos escritores(as)





* ( link pesquisa) __bit.ly/sobreescrita

Uma coisa nova que aprendi recentemente, foi sobre Jazz. Um assombro pra mim que conheço bem pouco sobre esse estilo musical.Durante o filme La La Land, o personagem principal apaixonado por tal estilo, explica a sua partner o cerne essencial do Jazz ao declarar ser o ritmo uma fusão de particularidades dos musicistas envolvidos, ou seja, a pauta musical fica intercalada pela perfomance aglutinada de cada instrumento da banda.Se entendi certinho, são " um por todos e todos por um" enaltecendo a originalidade sem perder a coletividade ou vice-versa.

O conceito me cativou. Congraçar sem ofuscar. Aglutinar para enaltecer.Reunir, somar, clarear, mais que ultra motivador, traz alianças incríveis, comprovadamente.A web está lotada de exemplos bem sucedidos em todas as instâncias e circunstâncias e um destes casos começou nesta semana.

Foi criado no Whatsapp um grupo capitaneado pela Rachel Agavino, do blog: O Livro Aberto,para dicas e orientações aos novos escritores(as), tirando dúvidas e promovendo a interação entre os participantes.Bem organizado e objetivo, o grupo tem regras e agenda facilitadora das atividades buscadas.

O Grupo: O Livro Aberto Dicas

O Infográfico:



Trocas inspiradoras e passos práticos num clima gerador em forma e cor das aspirações de cada candidato(a ) á trilha das histórias contadas em prosa e verso.

Recomendo muitíssimo!




quarta-feira, 19 de julho de 2017

" Pensar é coisa muito perigosa"



( foto/ Tica)


No traço da palavra, nas entrelinhas escritas, na essência latente aqui: 
A Leveza Profunda de Rubem Alves.


Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.

Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakovski suicidou-se. Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.

Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as ideias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem-unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme!) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa...

Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.
Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes.

Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que chamar psiquiatras e neurologista, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para lidar com o software há que fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos do Drummond e o corpo fica excitado.

Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e de se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.
Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental até o fim dos seus dias.

Opte por um soft modesto. Evite as coisas belas e comoventes. A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente contraindicados. Já o rock pode ser tomado à vontade. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo esta receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram.

Rubem Alves







quarta-feira, 12 de julho de 2017

Bom de ver, bom de (re)viver






Enquanto estouravam os fogos da procissão marítima pelo dia de São Pedro, nós, as primas, deixávamos fluir a alegria incontida do reencontro depois de muito tempo.Um dia enfeitado por risos soltos e afetos reavivados. Cremos, por isso, que os fogos também assim comemoravam o dia feliz.

E , aqui diante da telinha, me lembrei de um post antigo( mais um no tema) e fui lá atrás, em 2012, recuperá-lo. Uma conversa puxa a outra e as duas se completam.



Já está combinado há tempos imemoriais que um bom papo opera milagres na vida.Quando duas ou mais pessoas se envolvem numa conversa proveitosa, todo mundo sai mais alegre, mais confortado(a).Na fala ocorre o milagre da interação, da empatia e o benefício do encontro de interesses comuns fortalece as amizades, estreita os laços do convívio.

Assim na vida, como nas artes, o encontro aproxima as almas afins.Como estou resgatando o tempo que passei sem assistir filmes fui semana passada na locadora e um deles me chamou a atenção.Depois do maravilhoso " Hotel Marigot", me encantei com esta sensível obra do diretor Jean Becker, em "Minhas tardes com Margueritte/ La Tête en friche", com Gerárd Depardieu e Giséle Casadesus.

A história mostra o encontro de gerações na figura dos personagens centrais e toda riqueza das experiências vividas que brota todas as tardes no parque da cidadezinha do interior da França.A sensibilidade da velha senhora em perceber a alma machucada de seu amigo, faz com que a amizade entre eles vá se fortalecendo cada vez mais através das conversas trocadas.

A esta altura da vida, ele encontra nesta senhora as palavras e ações de apoio e incentivo que lhe foram negadas até então.Um cinquentão e uma senhora de noventa anos reescrevem a história de suas vidas a partir desta amizade.










terça-feira, 27 de junho de 2017

Marcas do dia-a-dia




(*)


Eu não era assim, desconfiada. Quando foi que essa faceta se infiltrou na brecha aberta entre um pensamento e outro, não sei mesmo, mas, me deparei com essa borda pendente na bainha de escolhas simples e rotineiras.Fui despertando pro enxerto ao ligar pro mercado pedindo alguns produtos a domicílio; insisto na expressão.Nada contra certos anglicismos adotados, mas às vezes gosto de ser do contra.

Pois, então, fiz a listinha, peguei o telefone e fui ditando pra atendente o que precisava na ocasião, ao que em muitos ítens era interrompida por ela com ao menos três opções de marcas referentes.Claro, que eu tinha de perguntar o preço de cada uma citada e além disso, a dosagem em gramas. Verdadeira investigação pelo melhor oferecimento e, o que era uma simples lista de poucos produtos de mercado se transformou numa apurada pesquisa de produtos variados.

Levei bom tempo nesse diálogo tenso, quase uma entrevista do censo. Até cheguei a esperar que ela me perguntasse se eu tinha geladeira em casa, quantas televisões, de quantas polegadas...


O que deveria ser uma economia de tempo, virou uma perda lamentável do mesmo.Enfim, ao chegarmos nas anotações finais, me perguntei se esta prestação de serviço não teria mais intenções interligadas, tipo: memorizarmos as marcas fortes do mercado, conhecermos novas marcas dos produtos que consumimos, sermos habilmente convencidos a mudarmos de marcas preferidas e, coisas tais.

Não é de hoje que somos induzidos, manipulados pelas diferentes mídias que  agigantam suas presas sobre nossas vidas, costumes, hábitos e interesses.É só dar um Google que se acha uma variedade enorme de filmes sobre o tema.Semana passada assisti ao " O Círculo", com Emma Watson e Tom Hanks, abordando a predadora conexão ilimitada interligando de, emails a buscas, pesquisas e compras na web, o que desenha um perfil de cada usuário(a) em suas preferências e possíveis novos consumos. Assunto sabido, porém longe de estar ultrapassado. Quanto mais se torna usual e corriqueiro mais perigoso se apresenta.

Só pra confirmar a longevidade do fato, lembro da eterna Elis cantando " Comunicação":

" Só tomava chá, quase que forçado vou tomar café..."



(*) imagem do Mercado Livre





sábado, 17 de junho de 2017

No ir e vir das marés





Tem sido recorrente a meus olhos encontrarem palavras comungadas em torno do singularmente fascinante a nos encantar simplesmente pela sua existência.Desconfio que esta seja uma máxima natural que sempre esteve presente e por malgrado humano passou e passa despercebida, disfarçada na ligeireza das horas e perdida em olhares superficiais.

Claro é, que as belezas da natureza saltam aos olhos, mais de uns, menos de outros, mas saltam alardeando em seu fulgor a magia em que consistem e existem.São elas vistas de pronto ou, às vezes com o vagar e o apaixonamento merecidos, ás vezes com uma mirada fugidia, isto vai pela intensidade de cada um(a) em seu sentir e ver o mundo em suas peculiaridades. 

Tais sintomas não acometem os blogueiros e blogueiras de meu estreito relacionamento    ( mesmo virtual). Reverberam por muitos ângulos da blogosfera, imagens lindas, destacadas, legendadas ou poeticamente enunciadas enaltecendo as maravilhas vistas e vividas. As emoções conjugadas, os saberes colhidos, os momentos preciosos, as somas trocadas em laços contínuos de caprichosos apreços.

É bem verdade que, os blogs têm estado num ritmo mais lento, vagarosamente alimentados por seus (suas)  capitães de longo-curso; curso ditado pelas exigências cotidianas, pelas obrigações falantes, pelos empenhos desvairados em conter os ponteiros do relógio que, como dizia Quintana:__"devora gerações inteiras".

Desculpas, sempre nos escoram e, são necessárias, mas , a meu ver, não podem tornar-se hábito permanente. Parcimônia é prima-irmã do bom -senso. Vez por outra, precisamos sim, nos refugiarmos do correr incessante das horas e, do alto da experiência que nos foi laureada pelos anos vividos e apreendidos no ir e vir das marés, darmo-nos o prazer de usar alguns momentos do dia  em horas prazerosas, alegres em sua futilidade existencial, leves e soltas no vagar de instantes descompromissados de regras ou imposições agrilhoadas; instantes aprazíveis e de riso infantilmente aberto.


"... até no capim vagabundo há desejo de sol[...]"
         Clarice Lispector









* Já há mais  páginas do Diário do Verdinho em passeios, lá na Silvana e na Jan( link na postagem daqui: Alinhavando Páginas). 



domingo, 11 de junho de 2017

Na Claridade do Dia







Parei, mudei o percurso bem no meio do hábito, desliguei o automático e desci pra areia.Passo sonoro marcando o terreno por breves instantes de movimento estancou o ímpeto inicial sossegando o desejo... Sentei-me de frente pro azul que me cobria, absorvia, tingia e acolhia; ali parada, apenas ali sentada, apenas ali, fluí, soltei amarras, me entreguei à brisa da manhã que findava trazendo horas corridas a me esperar, não já, agora não.

Levantei o polegar a impedir o ponteiro maior do relógio antigo e sorri pra mim olhando o agito da rua distante em seus barulhos altos, em seu vaivém incessante.Não já, não agora. Agora, parei, respirei fundo, agradeci muito esse dia, todas as horas, todos e tudo. 

Chorei. Pranto bom, renovador e transparente trouxe na celulosa claridade as felicidades vividas e as esperanças de outras infindas que virão.Dia claro de nuvens passeadoras que me carregam pela mão, renova meus anseios por outros plenos e alvissareiros.A escultura celeste sorri confirmando meus desejos.











Uma ótima semana pra vcs!








terça-feira, 6 de junho de 2017

De Amores - higiene pr'alma






Minutos balsâmicos na correria dos dias funcionam como higiene d'alma.


"Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado
para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor.
Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.
Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.
Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos,
descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e
dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito.
Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho,
cuidado e atenção.
Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais
de repente se perceberam ameaçados apenas e tão somente
porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem;
rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender;
necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem;
enchem-se de razões. Sim, de razões.
Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar,
de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está
sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não
possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo:
em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora
errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.[...]"

Arthur da Távola
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