quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Portais Particulares






 Quando ajustamos o foco dos olhares para além das nossas janelas, apontamos familiaridades que estavam retidas na memória dos nossos olhos, mas também avistamos, cá e acolá, detalhes novos, instantes fugazes, espaços conhecidos, porém, impermanentes.

Assim, ocorre também com os espaços interiores, nossa casa, cômodos, cantinhos, entrada, porta/portão; o que me lembra a música graciosa do mestre Vinícius de Moraes: 

A Porta

"Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta,
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta..."

Porta da nossa casa, marco da passagem pro nosso mundinho. Entrada e saída, portal posto e reconhecido em todas as culturas da humanidade.Escultura simbólica e simples, uma porta é , muitas das vezes, arauto da vida que guarda atrás de si. Na cultura hebraica, encontra-se amplamente utilizado o símbolo do Mezuzah pregado no umbral direito da porta de entrada das casas, apontando para dentro da residência. Consiste num objeto cilíndrico contendo miniatura de trecho da Torá( texto central do judaísmo).

Em época natalina, enfeitamos nossas portas com guirlandas tradicionalmente feitas de galhos, folhas e flores representando paz, fartura e renascimento. Muitas décadas passadas, aqui na minha cidade, era costume enfeitar-se as portas em ocasiões de aniversários na família moradora e, marcar-se  com uma faixa de fita preta ocasião de luto na família.

..." Eu abro devagarinho
pra passar o menininho.
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado.
Eu abro,bem prazenteira,
Pra passar a cozinheira..."


Faço-lhes, agora, novo convite, desta vez pr'um olhar um tantinho transcendental, deixando revelar alguns sentimentos, esperanças e aspirações que moram no limiar dos umbrais das nossas portas.


 EU ABRO MINHA PORTA PRA PASSAR...       


Deixe, por favor, sua participação nos comentários, vocês já sabem o porquê!( :)





segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Olhares Ressonantes



Ressoando pelos ares
vistas alongaram olhares
e, para não perderem detalhes,
declararam em breve prosa
as distintas colorações,
desenhos da vida,
sutis manifestações.


 Embalada pela cantoria da passarinhada que sempre a visita, a Chica ganha ao anoitecer, céus intensos, fulgurantes ao fechar dos dias movimentados da nossa querida joaninha.

No delicado poema, veio a Gracinha destacar as neblinas que amanhecem todo o vale preparando os céus para o espetáculo do colorido poente que ilumina o verde das encostas. 

Em brisa inspiradora, fez-se sintonia promissora com a amiga Rosélia, na postagem geminada contando seus olhares alongados para as belezas naturais; o mar e seus deslumbres. 

Os olhares da querida Verena se fizeram bem floridos e arborizados pelos espécimes encontrados ao alcance de seu olhar. Flores e plantas no quiosque, árvores ao longo do passeio, burburinho habitual e a vida a se expressar. 

Chegou de além-mar, vistas apreciadas pela amiga Ailime a nos contar sobre os prédios baixos rodeados de canteiros floridos, hora despidos desse adorno, pois, o inverno presente lhes pontua pingos nevados enquanto o sol temeroso tenta aparecer, com esforço.

Pintando o calor do nordeste, um sol soteropolitano, acorda o amigo Toninho e, lhe expande o gosto da liberdade que a brisa marinha espalhou em forma e arte pela cidade recém-amanhecida sob os efeitos desta bela pintura traçada nos  amplos céus que a cobrem; enquanto um alegre bando de rolinhas observa tudo do poleiro improvisado na fiação da rua, para logo em seguida, dali voarem a visitar os jardins. 

Veio lá da região serrana, o olhar vibrante da amiga Lucia Haddad a descortinar os muitos verdes confortantes da Mata Atlântica que abraça e energiza campos e espaços brindados em natureza exuberante; corais de passarinhos enchem as horas de melodia.

Tons variados e alegres se apresentam para Mari B. trazendo um belo caleidoscópio ante seus olhares  passeadores: o verde das alfaces novas, o rosa das roseiras elegantes a se perfumarem mais ainda no aroma de canela que lhes avizinha sob os céus esfumados na brancura das nuvens  em meio ao azul. 

N'um pedacinho de verde a resistir bravamente aos avanços da urbanidade, reside a Ana Freire, refugiada  em meio às arvores,flores e espaços recortados de natureza vívida que adornam seus dias com paz e sossego.

Com sua intensa sensibilidade, Cristiane Marinho, soube , mais uma vez, transformar o que era árido em terna beleza enfeitando seu muro cinza num jardim suspenso.


Para desfrutar na íntegra dos olhares aqui ressoados ,basta visitar os comentários da postagem anterior: Avistando - interação direta.  

Links: 



Ana Freire __ artandkits.blogspot.com    


 Cristiane Marinho __ http://mulheresemcirculo-luz.blogspot.com.br/


Agradeço pelas lindas participações!



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Avistando - interação direta


Pode não parecer, mas dou valor a todas as interações criativas que rolam pela blogosfera. Sejam blogagens coletivas, rodas e cirandas, legendas para imagens e outras motivações temáticas que agregam  e estendem amizades virtuais e reais.

Nem sempre consigo participar, na verdade, só de quando em vez, mas me esforço, viu gente!Pelo que me recordo, promovi duas cirandas(eu acho) há tempos. A primeira de tema: "O que não é do meu feitio", quase me levou ao desespero( exagero meu). O bairro onde morava na época, era afastado do centro da cidade e a rede elétrica/sinal de internet, um verdadeiro caos.Pois, justo no dia da estréia, logo pela manhã a luz ficou indo e voltando e o sinal da web, foi de vez.Vendo as horas passarem, imaginando o povo participando e esperando minha presença nos links, comentários, me vi quase chorando quando tocou o telefone, era Beth Lilás, querendo saber o que havia. Aos borbotões me saiu o relato choroso sobre o que acontecia. Ela prontamente me tranquilizou e se prontificou a arrumar todo o processo da ciranda. E, não foi que, logo em seguida me liga a Chica, com a mesma preocupação e me dá a mesma ajuda, conectada com a Beth. As duas me trouxeram um alívio tamanho que não há palavras de agradecimento que lhes possa compensar. Somente ao final da tarde, quando o sinal retornou, é que pude reassumir a ciranda. 

Este é apenas um caso verídico sobre os laços estreitos que se formam por aqui. 

Levada pela brisa desses últimos dias do mês de janeiro, inspirei-me nas motivações espalhadas em nossa particular blogosfera e venho propor-lhes a brincadeira que faço com meus netinhos(as) em passeios de carro: O que meus olhinhos estão a ver?"

Traduzindo pra nossa percepção, lhes convoco a contarem da maneira que bem quiserem, sobre:    

     " O que vejo da minha janela!"

Peço-lhes que deixem sua participação nos comentários, isto, porque fiquei traumatizada(rsrsrs...).

" Falamos para transformar a ausência em presença."
( Rubem Alves)


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Manifesto arboral




Aconteceu uma roda de conversa imprevista, daquelas que reúnem amigas de muito tempo e de pouca vista.Dez passos na mesma calçada e, voilà, abraços e risos se realizam. 

Enquanto a natural curiosidade rolava n'um papo descontraído, desenrolava-se , logo adiante, um serviço da prefeitura.  Dois funcionários da secretaria de parques e jardins empoleirados na escada gigante faziam a poda das árvores da rua.Nossa atenção voltou-se para a cena. Iam, concentrados,cortando os galhos emaranhados na rede elétrica. Até aí, tudo nos conformes, como dizia minha avó. Seguiam um ritmo apressado e mal davam por acabada a poda de uma amendoeira, já se deslocavam pra seguinte. 

A mesma percepção se deu para nós três, observadoras: a árvore ficou quase careca de um lado só. Ora, pois, não é preciso ser técnica de desbastamento pra constatar que algo está muito errado.Mesmo priorizando o desembaraço da rede elétrica, não pode deixar-se de lado a integridade da árvore. Uma poda lógica deveria equalizar toda a copa para garantir a sustentação e equilíbrio da amendoeira em caso de ventos e chuva forte. 

Nesse intervalo da conversa, uma quarta senhora se aproximou de nós, contando que haviam feito podas criminosas em outro bairro próximo muito arborizado. Mais que impressão, fica a certeza que aqueles funcionários não tinha lá muita noção do trabalho que faziam.Parecia que se divertiam ao manusear a horrenda serra elétrica.  Fato assombroso.

Li, faz tempo, que Nova York mapeou todas as suas árvores, catalogando com minúcias as espécies e os locais de existência. Começaram o mapeamento em 2015, contando com 2.300 voluntários, que junto com a equipe de NYC Parks, identificaram e catalogaram 684,5 mil árvores,analisaram o impacto ambiental e financeiro das árvores e concluíram que as quase 685 mil árvores lá existentes são capazes de reter 1 bilhão de galões de água das chuvas poupando o equivalente a $ 10,08 milhões  em reparação de danos fluviais e problemas com inundações. __Agora, o assombro é estratosférico, concordam!

As árvores constituem um eco-sistema em si próprias, além dos benefícios já sabidos que sua existência encerra, acrescenta-se a suprema necessidade de tê-las em áreas urbanas edificadas em concreto armado e sufocante. O mínimo que seria esperado dos serviços urbanísticos é eficiência e lógica no trato das áreas verdes tão cruciais na vida das cidades.



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Correspondência



Desuso, palavra muito usada ultimamente, quase pleonasmo, consegue definir pólos extremos que vão de coisas a atos, práticas, formalidades, etiquetas, moda, gastronomia, aparelhagens, costumes e muitas outras cositas mas.

Com as etiquetas embaralhadas sorteei a que diz: cartas à mão; cartas escritas na caligrafia pessoal, nos dizeres particulares, cartas... Antes , meio mundial de estrita comunicação entre as pessoas com suas especiais variações de assuntos. Umas oficiais, outras de condolências, umas tantas de amor e seus mistérios, comunicavam infinidades, futilidades, utilidades, comunicavam: fosse por escrito em próprio punho ou em letras formais. E, o ponto final desta história todos nós sabemos. Será? 

Tenho descoberto, com muito prazer, que o ponto não foi final parágrafo, mas, simples e de quando em vez, ponto e vírgula. Ora, quem diria! Digo sim, eu, que aqui lhes conto pitorescos e recentes acontecimentos.

Não vou longe, um pulinho pra dois anos atrás.Li, em fonte segura, sobre um cidadão que passaria um mês fora do país e procurava alguém interessado em ocupar seu apartamento pelo período. Ana Martins respondeu ao chamado e assim,  mudou-se para o apartamento de Eduardo Jorge em BH. 

Ambos poetas, trocaram as primeiras mensagens de cunho prático, sobre a casa, os arredores, a vida no condomínio. Mesclavam mensagens virtuais e cartas escritas.Não sabem precisar quando as mensagens ganharam contornos metafísicos, opiniões pessoais e finalmente fizeram-se versos.Sem se aperceber começaram a escrever a quatro mãos. Correspondência vai, correspondência vem e, voilà,
nasceu o livro de poemas, Como se fosse a casa __ uma correspondência, publicado pela Relicário edições, em julho de 2016.

Em seu artigo, o jornalista, Ricardo Viel, conta que os poetas continuam a se corresponder usando das possibilidades que o tempo de antes e de agora oferecem; vai um cartão-postal, vem um livro com bilhete dentro.      __" É curioso: começamos a nos corresponder por causa de uma casa, escrevemos um livro por causa dessa correspondência, e então, passamos a nos corresponder por causa do livro" declara, Ana Martins Marques.

 Achei uma história muito inspiradora. Quantas outras similares devem existir por este mundão afora!Pra começar é só pegar papel e caneta, neh mesmo! Aqui, na família, minha filha, dinda do Miguel (1º netinho), deu início a esse movimento desde que ele alfabetizou-se; ela lhe escreve uma vez ao mês e faz questão de receber resposta via manuscrita e pelos correios.

___Então, animados(as)??